Pode. A Resolução CFM 2.336/2023 permite a divulgação do valor da consulta, o que segue vedado é o tom mercantilista, promoções, descontos-relâmpago, sorteios e linguagem de liquidação. A pergunta estratégica é outra, VALE a pena divulgar? Preço exposto sem contexto de valor atrai comparação por preço. Em geral, melhor caminho é comunicar valor primeiro e informar preço no atendimento.
A resposta regulatória é curta: pode. A norma atual de publicidade médica permite informar o valor da consulta, desde que com sobriedade. O que não pode é transformar isso em varejo: "consulta de X por Y", "últimas vagas com desconto", sorteio, cashback e qualquer estética de promoção. Medicina não é liquidação, e o CFM é explícito nisso.
Resolvida a regra, sobra a pergunta que importa mais e quase ninguém faz.
Poder não significa dever
Preço público funciona bem pra serviço padronizado, onde as ofertas são comparáveis. Consulta médica é o oposto: dez minutos de queixa-conduta e noventa minutos de investigação sistêmica atendem pelo mesmo nome e não são o mesmo produto. Quando o preço aparece sem esse contexto, o paciente compara o incomparável, e a comparação por número favorece sempre o mais raso e mais barato.
- •Preço exposto atrai o paciente que decide por preço, que é estatisticamente o que menos adere e mais rotaciona.
- •Preço no lugar certo da jornada converte melhor: primeiro o paciente entende o que recebe (tempo, profundidade, acompanhamento, acesso), depois recebe o número. A mesma cifra que espantaria no post soa justa depois do contexto.
- •Transparência não exige outdoor. Responder o valor com clareza e prontidão quando perguntado É transparência. Ninguém é obrigado a tabelar a vitrine.
Quando divulgar faz sentido
Modelos de volume com posicionamento assumido de acessibilidade, ou serviços realmente padronizados (um check-up estruturado com escopo fechado, por exemplo), podem se beneficiar do preço público como filtro honesto. A decisão é de posicionamento: preço comunica antes de cobrar. A pergunta não é "posso mostrar?", é "o que o número diz sobre mim quando aparece sozinho?".
O resumo prático
Regulatoriamente: pode informar valor, não pode fazer promoção. Estrategicamente: quem vende tempo compete por preço; quem constrói autoridade e comunica transformação faz o preço virar detalhe final de uma decisão já tomada. Eu prefiro, e ensino, o segundo jogo.

Dr. Diego Rios · CRM-PI 8347
Médico em atividade, cinco pós-graduações, 400 mil seguidores construídos com método. Criador do programa Médico Referência.
O problema não é a sua medicina. É que o paciente certo não te encontra.
Competência sem visibilidade vira plantão e tabela de convênio: renda que não corrige, agenda que não enche com o paciente certo. Autoridade se constrói com método, dentro das regras do CFM, e é isso que eu ensino, porque foi isso que eu fiz.
Dr. Diego Rios, CRM-PI 8347
Conteúdo educativo para médicos. Não substitui consultoria individual nem define conduta clínica; decisões de tratamento são sempre do médico assistente diante do paciente.