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Andropausa, como conduzir a avaliação sem cair no modismo?

Entre negar que exista e repor em todo homem cansado, existe a medicina, hipogonadismo de início tardio é real, tem critérios (sintomas compatíveis + duas dosagens matinais baixas) e tem uma pergunta obrigatória antes da reposição, POR QUE caiu? Obesidade, apneia, álcool, medicações e cortisol derrubam testosterona de forma reversível. Repor sem investigar é tratar o marcador e perpetuar a causa.

A testosterona virou mercadoria, e o colega que atende homem 40+ está espremido entre dois erros: o ceticismo antigo que nega o quadro e manda o paciente "aceitar a idade", e o modismo atual que transforma qualquer fadiga em indicação de gel. A conduta séria passa no meio, e é mais interessante que os dois extremos.

O diagnóstico que as diretrizes sustentam

  • Sintomas compatíveis (os específicos pesam mais: libido em queda, disfunção erétil, perda de massa magra) somados a dosagem baixa confirmada: testosterona total matinal, em duas coletas de dias diferentes, fora de doença aguda. Uma dosagem vespertina isolada não diagnostica nada além da pressa.
  • SHBG e fração livre quando o total fica na zona cinzenta, lembrando que obesidade e hiperinsulinemia derrubam SHBG e mascaram o quadro, e idade a eleva e o exagera.
  • LH localiza a lesão (primária testicular versus central) e prolactina entra quando o LH não sobe como deveria. Hipogonadismo central em homem jovem merece investigação, não reposição reflexa.

A pergunta que o modismo pula: por que caiu?

  • Gordura visceral aromatiza testosterona em estradiol e suprime o eixo: o hipogonadismo da obesidade melhora emagrecendo, e a reposição isolada pode até atrapalhar esse caminho.
  • Apneia do sono, epidêmica no homem 40+ com barriga, destrói a produção noturna. Repor sem rastrear apneia é assinar o sintoma e arquivar a causa (e a reposição pode agravar a apneia não tratada).
  • Álcool, opioides, corticoide, alguns psicotrópicos: a anamnese farmacológica derruba mais testosterona que o calendário.
  • Cortisol e o eixo do estresse: privação crônica de sono e estresse sustentado suprimem o eixo gonadal. É o hipogonadismo funcional do executivo, e do médico plantonista.
  • Cofatores nutricionais (vitamina D, zinco) e o estado metabólico completam o mapa: dopamina e motivação dependem dessa rede inteira, não de um número isolado.

Quando repor, e como não errar

Reposição tem indicação legítima: hipogonadismo confirmado, causa investigada, contraindicações checadas, paciente informado, monitorização combinada. O que não tem defesa é o protocolo de esteira: dosagem única, gel no balcão, seguimento nenhum. Entre um e outro mora a diferença entre endocrinologia e balcão de suplemento com CRM.

Avaliar o homem inteiro, eixo, sono, metabolismo, fármacos, vida, antes de tocar no hormônio: um bom médico faz assim. É isso que eu ensino: Medicina Raiz.

Dr. Diego Rios

Dr. Diego Rios · CRM-PI 8347

Médico em atividade, cinco pós-graduações, 400 mil seguidores construídos com método. Criador do programa Médico Referência.

O problema não é a sua medicina. É que o paciente certo não te encontra.

Competência sem visibilidade vira plantão e tabela de convênio: renda que não corrige, agenda que não enche com o paciente certo. Autoridade se constrói com método, dentro das regras do CFM, e é isso que eu ensino, porque foi isso que eu fiz.

Dr. Diego Rios, CRM-PI 8347

Conteúdo educativo para médicos. Não substitui consultoria individual nem define conduta clínica; decisões de tratamento são sempre do médico assistente diante do paciente.